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terça-feira, 4 de março de 2014

O que devemos fazer para alcançar a santidade?

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O que fazer para alcançar a santidade? A resposta pode parecer bastante óbvia e simples, mas o que devemos fazer é amar com caridade sobrenatural.
Em primeiro lugar, o que é santidade? É a configuração do nosso coração ao coração de Cristo. Uma pessoa está no caminho de santidade quanto mais o seu coração se vai conformando com o de Cristo, a ponto de ela chegar ao estado de perfeição em que chegou São Paulo, quando disse: "Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim"[1].
A pessoa santa tem um coração que palpita em sintonia com o coração de Cristo e este, por sua vez, é ardente de amor-caridade. Neste ponto, ajuda-nos São Tomás de Aquino, explicando que existe uma diferença entre o amor natural e o sobrenatural. O amor natural é aquele da própria natureza humana: amam-se os filhos, os pais, o seu cônjuge etc. Esse amor pode ser abusado, transformando-se em idolatria. Entra, então, a necessidade do amor sobrenatural. A diferença deste para aquele está no objeto formal. A quem se pode amar, com amor sobrenatural? A Deus, a mim mesmo e ao próximo[2]: esses são os objetos materiais do amor. Mas, não basta amar a Deus com amor natural: para amá-Lo sobrenaturalmente, é preciso amá-Lo por causa d'Ele mesmo, ou seja, sem querer nada em recompensa, sem ficar pensando em seu próprio bem, mas"numa total determinação e desejo de contentar a Deus em tudo, (...) procurar, o quanto pudermos, não ofendê-lo"[3], como diz Santa Teresa de Ávila. Da mesma forma, como quando se ama a si mesmo e ao próximo: deve-se fazê-lo por um único objeto formal, que é Deus.
Nisso consiste o amor. E é crescer nesse amor o que nos fazer crescer na santidade. Algumas pessoas pensam que a santidade significa fazer coisas heroicas, mas o Aquinate, em um de seus escritos[4], esclarece que, na realidade, não é o árduo em uma obra o que nos torna santos, mas a caridade. Se fazemos uma pequena obra – a oração de uma Ave-Maria, por exemplo –, mas a fazemos com caridade ardente por Deus, estamos empreendendo algo muito mais valioso do que se lançássemos o nosso corpo às chamas ou déssemos todos os nossos bens aos pobres, mas os fizéssemos sem caridade[5].
De nada adianta, no caminho da santidade, transformar-se em um faquir, fazer grandes sacrifícios, mas se esquecer da caridade. É a caridade que dá forma a todas as virtudes, diz São Tomás[6]. Se a caridade estiver ausente, de alguma forma essas virtudes serão deformadas.
Para ser mais santo, portanto, só existe um caminho: amar a Deus de forma ardente, sincera. Santa Teresa de Ávila, em seu Castelo Interior, recorda que é isso o que se deve fazer para entrar nas moradas interiores:
"Para aproveitar neste caminho e subir às moradas desejadas, o essencial não é pensar muito – é amar muito. Escolhei de preferência o que mais vos conduzir ao amor."
"Talvez nem saibamos o que é amar, o que não me espanta. Não consiste o amor em ser favorecido de consolações. Consiste, sim, numa total determinação e desejo de contentar a Deus em tudo, em procurar, o quanto pudermos, não ofendê-lo e rogar-lhe pelo aumento contínuo da honra e glória de seu Filho e pela prosperidade da Igreja Católica."[7]
Eis acima, em poucas palavras, o que devemos fazer para ser mais santos.

Referências bibliográficas

  1. Gl 2, 20
  2. Cf. Suma Teológica, II-II, q. 25, a. 12
  3. Santa Teresa de Jesus, Castelo Interior ou Moradas, Quartas Moradas, capítulo 1, n. 7. In São Paulo: Paulus, 2014. p. 75
  4. Trata-se da obra "Comentários Sobre as Sentenças de Pedro Lombardo".
  5. Cf. 1 Cor 13, 3
  6. Cf. Suma Teológica, II-II, q. 23, a. 8
  7. Santa Teresa de Jesus, Castelo Interior ou Moradas, Quartas Moradas, capítulo 1, n. 7. In São Paulo: Paulus, 2014. p. 75

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