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sábado, 6 de agosto de 2011

Homilia do Padre Fernando Cardoso - 06 de agosto de 2011

Insiste o Deuteronômio no mandamento do amor a Deus. Interessante: é o primeiro livro da Torá de Moisés que toca neste tema central. Os outros quatro livros do Pentateuco - Gênesis, Êxodo, Levítico e Números - falam do serviço de Deus, do culto a Ele ser prestado. Falam do Deus que Se manifesta a Israel na grandiosidade da teofania do Sinai, mas nenhum deles toca o diapasão do amor.

Coube ao Deuteronômio ser o primeiro livro bíblico a manifestar melhor o coração sensível de Deus: “Amarás o Senhor teu Deus com toda tua mente, com toda tua força, com todo teu coração”. Uma afirmação que Jesus assumirá no Novo Testamento, numa resposta lapidar que condensa todos os nossos deveres religiosos. Deus não pede para ser amado de modo interesseiro, não retira nenhum proveito pessoal do nosso amor por Ele. Pede que O amemos para que Ele nos ofereça dons maiores. De fato, uma pessoa não pode oferecer dons a outra se não for por ela reconhecida, se não for por ela amada.

No Evangelho, Jesus insiste na necessidade da fé. Os discípulos perguntam-Lhe, certa ocasião, por que haviam fracassado na prática de um exorcismo. Responde-lhes Jesus: “Porque a vossa fé é demasiado pequena. Se tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda direis a esta montanha: vai daqui para lá e ela irá.”

Fé e amor serão sempre o único caminho a nos conduzir a Deus. Normalmente, se insiste no aspecto doutrinal e dogmático do ato de fé: crer no que Deus nos revelou em ordem à salvação. Mas é preciso insistir também em outro aspecto: o existencial, ou seja, a confiança ilimitada e o abandono em Suas mãos. Digamos logo que não são atitudes fáceis de se possuir. Surpreendemo-nos muitas vezes na incredulidade. Esta última é o lado obscuro da nossa pouca fé e impede a Deus de agir com mais intensidade em nossa vida. Tivéssemos sido mais dóceis e confiantes em Sua providência, seríamos diferentes e mais adultos em Cristo do que realmente somos. Um exame de consciência sério é capaz de trazer-nos à recordação as vezes sem conta em que duvidamos de Deus e julgamos sermos nós os melhores construtores de nossa própria história.

Agora que tudo passou, que proveito tiramos dessa indocilidade acumulada? Há sempre possibilidade de recomeçar. Digamos no início de cada dia: hoje quero começar de novo. Esse recomeço quase diário não deixa de ser desafiador, pois é a prova de que somos inconstantes. Para tal, exige-se, além da perseverança, boa dose de humildade e a percepção aguda de que sem Cristo e abandonados a nós mesmos não valemos coisa alguma. Não é dolorosa essa constatação?

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