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sábado, 14 de maio de 2011

Homilia do Pe Fernando Cardoso - 15 de maio de 2011

Neste quarto domingo da Páscoa, Jesus ressuscitado apresenta-Se em Sua comunidade como o bom pastor. O Evangelista João nos diz que existe um método ou um modo adequado de aproximar-se das ovelhas, contraposto a um modo inadequado. Na verdade, à época de Jesus era comum usar a metáfora do pastor e das ovelhas. Os antecedentes bíblicos de Israel, os patriarcas Abrahão, Isaac e Jacó haviam sido pastores. David, antes de tornar-se rei, havia sido um pastor também. Os reis de Jerusalém, durante o período da Monarquia, recebiam o título de pastores de seu povo e deviam conduzi-los – não o fizeram as mais das vezes – ao direito e à justiça. Ezequiel, em seu capítulo 34°, traz, por parte de Deus, uma requisitória contra os maus pastores que se apascentam a si mesmos, que tosam a lã das ovelhas para agasalhar-se bem com ela, que arrancam o leite das ovelhas para alimentar-se dele, mas não tem nenhum amor, nenhum carinho, nenhuma delicadeza para com essas mesmas ovelhas, não curam a que está doente, não enfaixam a que está ferida, não vão atrás da que está desaparecida, não fazem crescer aquela que precisa de alimentação.

Naquela ocasião Deus, sempre pela boca de Ezequiel, afirma que num futuro Ele mesmo cuidaria de Suas ovelhas. E, na plenitude dos tempos, os Cristãos viram que esta promessa de Deus, feita outrora pela boca de Ezequiel, cumpria-se literalmente através de Jesus. O Bom Pastor, Aquele que não buscou Seu próprio interesse, Aquele que ofereceu a Vida de Deus a essas ovelhas, Aquele que lhes anunciou o Reino de Deus, Aquele sobretudo que, por cada um de nós - deixando a metáfora - sofreu a morte acerba e dolorosa e ressuscitou para nossa justificação. É exatamente Este que Se põe em nosso meio hoje e apresenta-Se nas vestes de um Pastor. Ou seja, de um guia, de Alguém que conduz, de Alguém que oferece uma luz, de Alguém que vai à frente, de Alguém que liberta da escuridão, de Alguém que dá um sentido e aponta para um horizonte, não apenas nesta vida, mas um horizonte metafísico, um horizonte para além desta existência.

Podemos não aceitar Jesus e não colocá-Lo no centro de nossa existência, mas é preciso uma bela crítica a cada um de nós neste quarto domingo da Páscoa. Quem é que nós estamos seguindo? Quem é o nosso modelo? Quem é aquela pessoa que gostaríamos de copiar? Muitas vezes não passa de pobre indigente como nós mesmos, sem nada a nos oferecer e o que é pior, muitas vezes em busca dos próprios interesses, que não são necessariamente iguais aos nossos.

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