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sexta-feira, 11 de março de 2011

Homilia do Pe Fernando Cardoso - 11 de março de 2011

Alguém perguntou certa vez a Jesus: porque os teus discípulos não jejuam, enquanto jejuam os discípulos de João Batista e dos fariseus? Esta pergunta poderia ser feita a nós, no início desta quaresma. Na verdade, a Igreja foi gradualmente eliminando a lei do jejum. Esta obrigação praticamente não existe mais, subsistindo apenas em dois dias por ano: quarta-feira de cinzas, que já passou, e sexta-feira Santa. No entanto, não existe lei e, sobretudo dispensa canônica, que nos dispense efetivamente de irmos a Deus por inteiro, isto é, não apenas com o nosso espírito, mas com o nosso corpo também.

O corpo, na verdade, nada mais é do que a maneira de exprimir-se do próprio espírito. Quem é cristão deve sê-lo não apenas espiritualmente, não apenas teoricamente, não apenas em suas idéias, mas na verdade de seu ser completo; em seu corpo também. Jejuar, diminuir o ritmo da alimentação, manter durante algum tempo um estômago semi vazio; em primeiro lugar auxilia enormemente a própria prática da oração. Em segundo lugar, quem jejua com relação a alimentos, mas também com relação a diversões que o mundo oferece, imagens de televisão, cinemas, filmes, distrações; quem jejua com a própria língua, diminuindo um pouco o volume de suas conversas, este vai a Deus com seu corpo também. Este, ao jejuar, ensina a si mesmo, didaticamente, que este mundo não o faz feliz de maneira acabada e plena.

Quem é capaz de dizer não a um determinado alimento, a uma determinada bebida, a uma determinada diversão, a um determinado passa-tempo, a uma determinada conversa inútil, para dedicar-se mais a Deus, fala com a verdade do próprio ser, que não é apenas um espírito mas um espírito encarnado, que este mundo não é capaz de realizá-lo definitivamente. Quem não faz isto, de certa maneira ilude-se porque, ao mesmo tempo em que diz, teoricamente, com a mente, eu sou de Cristo, na verdade corpórea de seu ser, enche-se com tudo aquilo que o mundo atualmente pode oferecer e não deixa, de maneira concreta também, espaço para Deus. Não existe lei canônica que nos dispense de ir a Deus não só com nosso espírito, não só com nossa mente, mas também com a verdade corpórea que vivemos.

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