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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Liberdade para escolher

Fomos todos feitos para a perfeição e não para a mediocridade

Os cristãos foram chamados a estar no mundo e anunciar o nome de Jesus Cristo. Recebemos como legado das gerações passadas a tarefa de encontrar a linguagem adequada e o testemunho a ser oferecido em nosso ambiente. Os polos de tensão, geradores de vida, são a força do próprio Evangelho e as pessoas, onde se encontram hoje, com suas múltiplas interrogações. O Evangelho é sempre o mesmo por ser sempre novo, provocador de conversão para todos os que o conhecem. Não é adaptável às tendências de cada época, mas vai sempre à frente! As situações dos tempos e das pessoas são diferentes, mas sempre passíveis de transformação para melhor. Sabemos que o contato com a Boa Nova de Jesus Cristo não cancela nem prejudica qualquer cultura, mas a eleva e a aperfeiçoa, fazendo vir à tona os valores em todas elas presentes.

Qualquer realidade humana confiável foi conquistada a duras penas, passando inclusive pela dor, “sangue, suor e lágrimas”. Quem ganha de alguma sorte grande na loteria não sabe o que custou aquele dinheiro e o gasta com facilidade. Por outro lado, há muitas pessoas que conquistaram muito, mas à custa de muitos esforços, renúncias e sacrifícios, por isso sabem o que valem as vitórias alcançadas. Nessa vertente, existem em todas as culturas e ambientes pessoas de fibra. Este é um filão de ouro, pelo qual o Evangelho pode entrar.

No enfrentamento dos passos a serem dados no dia a dia, cabe-nos fazer escolhas correspondentes às nossas convicções. Buscar um Cristianismo mitigado, no qual se adaptem as exigências evangélicas às situações, é negar a verdade do próprio Cristianismo e a dignidade humana, pois fomos todos feitos para a perfeição e não para a mediocridade. O ensinamento da Sagrada Escritura é sempre verdadeiro e atual: "Se quiseres guardar os mandamentos, eles te guardarão; se confias em Deus, tu também viverás. Diante de ti, ele colocou o fogo e a água; para o que quiseres, tu podes estender a mão. Diante do ser humano estão a vida e a morte, o bem e o mal; ele receberá aquilo que preferir" (Eclo 15, 16-18). Pessoas que desenvolvem sua capacidade de decisão costumam entender as verdades do Evangelho!

Pessoas que gostam da verdade e da sinceridade certamente estão próximas do Evangelho de Cristo. Conheci um homem em cuja família foram feitas escolhas ideológicas diferentes. Um de seus sobrinhos, sem seguir os passos de extrema fidelidade à Igreja que o caracterizavam, declarou-me respeitoso, admirador e aprendiz da caridade daquele que o precedia nas estradas da vida. Aquele jovem tinha no coração a radicalidade dos que querem o bem dos mais pobres e fracos e o desejo de mudar o mundo! Era parecido com palavras do Sermão da Montanha: “Ouvistes também que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor. Ora, eu vos digo: não jureis de modo algum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o apoio dos seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei. Também não jures pela tua cabeça, porque não podes tornar branco ou preto um só fio de cabelo. Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não. O que passa disso vem do Maligno” (Mt 5, 33-34). Estava bem próximo do Evangelho e, à sua morte precoce, certamente encontrou o Senhor!

Não está longe de Jesus Cristo quem vai além das obrigações, superando as normas estritas. Um mundo feito apenas de leis e deveres, ainda que todos as cumprissem, carece da unção do Espírito Santo, que suscita gratuidade, liberdade e espontaneidade. Gestos de generosidade e partilha são estradas de conversão.

Podem acontecer muitas discussões a respeito de doutrina. De nossa parte, cultivar as convicções e a verdade proclamada pela Igreja é dever cotidiano. Amar a Igreja exige conhecê-la. Fazer parte de uma comunidade cristã pede aprofundamento da fé. Mas o que incide radicalmente nas pessoas é o testemunho.

Para chegar aos outros e anunciar Jesus Cristo, é necessário escolher não o mais fácil, mas o melhor, cujo nome é amor, fazer-se um com os outros, a ponto de estes ficarem quase envergonhados, desejando fazer o mesmo! Aí o Evangelho entra e oferece Aquele a quem ninguém pode resistir, por ser o Salvador, Jesus Cristo. Seu nome há de ser anunciado até os confins da terra!

Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém - PA

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