Liberdade é autêntica quando se reconcilia com verdade, diz Papa

Leonardo Meira
Da Redação CN

 O Papa dedicou a Catequese desta quarta-feira, 7, ao Beato escocês João Duns Scotus, que dedicou grande parte de sua missão como professor ao tema da liberdade.

"A liberdade é autêntica, e ajuda a construir uma civilização verdadeiramente humana, somente quando se reconcilia com a verdade. Se for retirada da verdade, a liberdade torna-se tragicamente princípio de destruição da harmonia interior da pessoa humana [...]. A liberdade, como todas as faculdades de que o homem é dotado, cresce e se aperfeiçoa quando o homem abre-se a Deus, valorizando aquela disposição para ouvir a Sua voz", explicou.

Acesse.: Catequese de Bento XVI sobre o Beato João Duns Scotus
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Bento XVI complementou essa reflexão afirmando que "a ideia de liberdade absoluta, colocada na vontade, esquecendo o nexo com a verdade, ignora que a própria liberdade deve ser libertada dos limites que vêm do pecado".

Os temas marianos também ocuparam boa parte das reflexões do Beato Scotus. Para se ter uma ideia da importância de suas investigações teológicas nessa área, um argumento seu foi adotado pelo Beato Papa Pio IX quando da definição do dogma da Imaculada Conceição, em 1854.

"Esse argumento é aquele da 'redenção preventiva', segundo o qual a Imaculada Conceição representa a obra-prima da redenção realizada por Cristo, porque o poder do seu amor e de sua mediação alcançou que a mãe fosse preservada do pecado original. Assim, Maria é plenamente redimida por Cristo, mas já antes da concepção", explica o Papa.

O Santo Padre indicou que teólogos de valor sempre seguem o caminho percorrido por João Scotus - enriquecem com seu pensamento aquilo em que o Povo de Deus já acredita:

"Assim, o Povo de Deus precede os teólogos e tudo isso graças àquele sobrenatural sensus fidei, ou seja, àquela capacidade infundida pelo Espírito Santo, que habilita a abraçar a realidade da fé, com humildade de coração e mente. Nesse sentido, o Povo de Deus é 'magistério que precede', e que, então, deve ser aprofundado e intelectualmente acolhido pela teologia. Possamos sempre os teólogos colocar-nos em atitude de acolhida dessa fonte de fé e conservar a humildade e simplicidade dos pequenos!".


Mistério da Encarnação

O beato escocês desenvolveu uma visão teológica fortemente cristocêntrica e debruçou-se na investigação sobre o Mistério da Encarnação, sustentando que o Filho de Deus se teria feito homem mesmo se a humanidade não tivesse pecado, ao contrário do que defendia muitos pensadores de sua época.

"Para Duns Scotus, a Encarnação do Filho de Deus, planejada desde a eternidade da parte de Deus Pai em seu plano de amor, é o cumprimento da criação, e torna possível a toda a criatura, em Cristo e por meio d'Ele, ser plenificada pela graça, e dar louvor e glória a Deus na eternidade. Duns Scotus, embora ciente de que, na realidade, por causa do pecado original, Cristo redimiu-nos com sua Paixão, Morte e Ressurreição, confirma que a Encarnação é a maior e mais bela obra de toda a história da salvação, e que não é condicionada por qualquer fato contingente, mas é a ideia original de Deus para unir finalmente toda a criação a si mesmo na pessoa e na carne do Filho".

Sobre o exílio voluntário de Paris, a que o beato se submeteu após o episódio de conflito entre o rei francês e o Papa da época, o Pontífice disse:

"Esse fato nos convida a recordar quantas vezes, na história da Igreja, os fiéis encontraram hostilidade e logo após perseguição por causa da sua fidelidade e devoção a Cristo, à Igreja e ao Papa. Nós todos olhamos com admiração a esses cristãos, que nos ensinam a estimar como um bem precioso a fé em Cristo e a comunhão com o Sucessor de Pedro e, assim, com a Igreja universal".


Saudações

No final da Catequese, Bento XVI dirigiu cumprimentos a todos os grupos presentes, especialmente aos membros da Congregação da Santa Cruz; aos Filhos da Imaculada Conceição e às Pequenas Apóstolas da Redenção, em Capítulo Geral.

Antes do encontro, o Bispo de Roma dirigiu-se à Praça dos Protomártires romanos, dentro da Cidade do Vaticano, para abençoar a estátua de Santo Aníbal.


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